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Odes a Maximinnasceu, como depraxe em seu trabalho, de uma obsessão varonil. Era o verão berlinensede 2011 quando o poeta chegou à casa de amigos gays que conversavam alto e animadamente sobreum rapaz que aparecera em uma festa dias atrás. Aos dezenove anos ecom cachos pendentes sobre a cara, o rapaz deixara os rapazes empolvorosa. “Exibia-se!”, diziam. Uma mera semana depois, o poeta oconheceria por acaso em outra festa. Corte na ilha de edição damemória para este verão brasileiro de 2018, sete anos mais tarde, apósum caso tórrido, muitas noites emclaro nos inferninhos berlinenses, muitas conversas e brigas, e eisque chega às mãos do leitor este Odes a Maximin– que não é o nome dorapaz, pois o poeta o esconde aquele que antes se escondia sob cachosembaixo deste codinome, como as sujeiras debaixo de um tapete, assim como Adélia Prado escondeu o seu Jonathan e Cazuza escondeu seu Beija-Flor. Se na obra anterior do poeta e contista, ohomoerotismo erguia sua cabeça e outras extremidades em vários poemas,este Odes a Maximin é certamente sua mais desbragada e honestadeclaração de paixão homoerótica. Chega em momento político oportuno na República Federativa do Brasil, ainda que alguns o chamem de inoportuno. Influenciado pela poesia homoerótica grega e latina, o livro tem como pano de fundo histórico o culto a Antínoo e também oculto a Maximin no chamado Círculo de George, do poeta alemão Stefan George. Pois existiu deveras um Maximin histórico, o jovem poeta berlinense Maximilian Kronberger (1888-1908), que seria praticamente divinizado em poemas por Stefan George após sua morte precoce. O livro une-se a tantos outros relatos em prosa ou verso dedicados por autores a paixões, como os poemas de Frank O'Hara para o dançarino Vincent Warren na década de 1950, ou, já que falamos em um Vincent, também o diário da relação conturbada do francês Hervé Guibert com um rapaz parisiense em Fou de Vincent (1989). A tonalidade por vezes clássica do livro está também no seu projeto gráfico, que segue tendências da tipografia tradicional, como a capa dura e a tipografia serifada. O que contrasta com as ilustrações do artista alemão David Schiesser, de traços rudes, intercalando os poemas.

 

 

odes a maximin | ricardo domeneck

REF: GP012
R$ 45,00Preço