reunimos alguns dos nossos títulos em apanhados. com isso, propomos fricções, encontros inesperados – ou desencontros. é o nosso modo de sugerir que leiam o livro ao lado, escutem vozes dissonantes do contemporâneo. os livros se aproximam e se distanciam na medida de suas leituras: descobertas e experimentações. na compra de um apanhado, os títulos têm valor promocional.

 

neste pacote reunimos:

_janelas abertas n.3, de Liv Lagerblad

_josé mergulha pra sempre na piscina azul, de Marcelo Reis de Mello

_cabeça de touro, de Guilherme Dearo

 

 

sobre os livros:

 

janelas abertas n. 3 é um dos seis títulos do primeiro bloco da coleção a galope. Coeditada pela garupa e pela kza1, a coleção traz títulos de leitura ágil. Semifinalista do prêmio Oceanos 2020, janelas abertas n. 3 é o terceiro livro de poemas de Liv Lagerblad. Nele, Liv conversa com as músicas homônimas de Tom Jobim e Caetano Veloso, e fala dos dias de interna em um hospital psiquiátrico:

 

"o jornal anunciou um eclipse vermelhidão lunar, mas o céu turvo encobriu o fenômeno. o lugar também: pulsava como um animal doente, cada concreto era vivo e exalava algo da atmosfera de veludo. a comida uma ração morna, a piscina uma poça morna, a narrativa dos fatos, intoxicada a dicção dos poetas da moda. uma das loucas tinha a voz em falsete e só dizia três falas: amor, rasgô, e desculp’eu, a última uma contração, pode-se ver, mas ela falava rápido e pra dentro, um único som. seu nome era ângela,"

 

//

 

Escrito num período atravessado pelos desastres ecológicos de Mariana e Brumadinho, a ascensão da extrema-direita dentro e fora do Brasil, o incêndio do Museu Nacional e da Igreja de Notre Dame, o recorde de incêndios na Amazônia e por queimadas de grandes proporções na Califórnia, Austrália, Indonésia, Sibéria e África Subsaariana, este livro de Marcelo Reis de Mello é atravessado pelo signo do fogo. Neste mundo consumido pelo incêndio que anuncia as pragas (piração da história), onde palavras são cinzas a serem sopradas, é preciso dizer a palavra que nasce da sua própria impossibilidade. Se pararmos de dizer, o próprio silêncio cessará. Nos poemas de José mergulha para sempre na piscina azul, o presente desastroso vai ao encontro das Pages brulées[Páginas queimadas], de Edmond Jabès, onde o poeta escreve: “como ler uma página já queimada num livro que arde, a não ser recorrendo à memória do fogo?”

 

//

 

A imagem do minotauro pode parecer óbvia para pensarmos um livro chamado Cabeça de touro. Mas, ao passo que as referências ao teatro vão surgindo, a leitura do segundo livro de poemas de Guilherme Dearo vai se tornando cada vez mais vertiginosa e sem saída. O labirinto clássico, construído pelo autor a partir da mesma matéria que os antigos palcos gregos, sondam de leve a estrutura trágica de Eurípedes, e a comédia anárquica de Aristófanes, mas parece mirar mesmo é no teatro do absurdo de Ionesco, Beckett, Jean Tardieu, e tantos outros. A linguagem desprendida, a confusão (delírio?) surrealista entre homem e bicho, homem e touro, homem e minotauro, a presença política e jocosa dos solilóquios afásicos tornam Cabeça de touro uma interessante experiência entre as vozes poéticas e teatrais; tão diferentes entre si, mas tão próximas no imaginário popular.

 

 

sobre xs autorxs:

 

Liv Lagerblad (1989) é artista visual, compositora e poeta. Tem dois livros publicados, um que leva seu nome, pela Coleção Kraft da Cozinha Experimental, outro chamado o cri§e pela Editora Urutau. Vive no Rio.

 

//

 

Marcelo Reis de Mello nasceu em Curitiba, 1984. Poeta, crítico, editor e professor de literatura. Co-fundador da editora carioca Cozinha Experimental e da Oficina Experimental de Poesia. Como poeta publicou Esculpir a Luz (2010), Violens (2016) e Elefantes dentro de um sussurro (2017).

 

//

 

Guilherme Dearo (São Paulo, 1989) é poeta, dramaturgo e jornalista. Cabeça de touro é seu segundo livro de poemas.

 

apanhado #2

R$ 75,00Preço