reunimos alguns dos nossos títulos em apanhados. com isso, propomos fricções, encontros inesperados – ou desencontros –, é o nosso modo de sugerir que leiam o livro ao lado, escutem vozes dissonantes do contemporâneo. os livros se aproximam e se distanciam na medida de suas leituras: descobertas e experimentações. na compra de um apanhado, os títulos têm valor promocional.

 

neste pacote reunimos:

_ O martelo, de Adeláide Ivánova

_ Experiências sobre editar um corpo + pôster, Letícia Féres e Laura Daviña

_ e fica um gosto de cica na boca, Janaína Abílio

 

 

sobre os livros: 

 

O martelo, vencedor do Prêmio Rio de Literatura 2018, traz um aparente formato padrão, mas surpreende o leitor com uma fina camada de tinta vermelha que cobre a capa sujando suavemente as mãos de quem o encosta. Dividido em duas partes, o livro se destaca da atual poesia brasileira ao assumir uma voz verdadeiramente feroz e não temer tratar assuntos cortantes. Nas palavras de Carol Almeida, autora do posfácio: “É chegada a hora de soltar o verbo e o gozo de dizer o que precisa ser dito do jeito que precisa ser dito, ou de como estupro é estupro, trepada é trepada e literatura é sentir na pele o peso das palavras".

 

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Experiências sobre editar um corpo, de Letícia Féres (poemas) e Laura Daviña (ilustrações e projeto gráfico), apresenta um paralelo entre o processo histórico de edição dos corpos humanos e os processos característicos da edição de um livro. O que evidencia a própria natureza editável dos corpos – tantas vezes ocultada pelo senso comum e sua metralhadora de normatividade – e também os elementos utilizados na construção do objeto livro. Letícia Féres traz a experiência individual na construção de seu próprio corpo, ultrapassando o simples relato, e complexifica a discussão sobre gênero e sexualidade, tão cara ao nosso tempo. Ela convoca os corpos desviantes – sejam eles quais forem – a observar os processos de edição que lhe foram socialmente impostos, mas também a observar que eles podem e devem ser os editores de si mesmos – o que não significa moldar-se para caber nesta ou naquela identificação.O livro fala do “corpo como espaço de construção biopolítica, como lugar de opressão, mas também como centro de resistência”, como Marie-Hélène Bourcier escreve no prefácio do Manifesto contrassexual, de Paul Preciado. E também amplia a discussão, porque falar de gênero implica falar de questões de saúde mental, de educação, de relacionamento. Laura Daviña, que criou uma tipografia própria para o projeto, também discute a potência dos entre-lugares. Seus desenhos ficam entre o figurativo e o abstrato, sugerindo corpos em formação, deformados ou contra a forma.

 

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e fica um gosto de cica na boca é um dos seis títulos do primeiro bloco da coleção a galope. Coeditada pela garupa e pela kza1, a coleção traz títulos de leitura ágil. Primeiro livro de Janaina Abílio, e fica um gosto de cica na boca trata com humor e acidez alguns temas urgentes no nosso tempo, como a simultânea precarização e elitização da arte e do artista contemporâneo, o racismo nos ambientes institucionais, a vida do espírito diante do ritmo do nosso tempo:

 

"sei lá. eu sofro por causa duns europeus arrombados

 

e por nunca acertar o ponto de corte do abacate.

 

é sempre um madurou, não madurou, madurou, não madurou, o caroço ainda não balança, vai ficando meio mole, bate um medo de estragar

 

e fica um gosto de cica na boca."

 

 

sobre as autoras: 

 

Adelaide Ivánova nasceu em 1982 na cidade de Recife. Jornalista, poeta, tradutora e fotógrafa, seu trabalho percorre o mundo em publicações impressas e digitais como i-D (UK), Colors (Itália), Te Hufngton Post (EUA), Modo de Usar & Co. (Brasil), Suplemento Pernambuco (Brasil) entre outras. O Martelo é seu terceiro livro de poemas.

 

Letícia Féres (Muriaé/MG, 1979) trabalha como editora, em publicações comerciais e experimentais. É autora do livro e outros poemas (Urutau, 2018), finalista do Prêmio Rio de Literatura 2019, e das plaquetes [há o desastre que não nos olha] (kza1, 2018), Como vai ser este verão, querida? (Coleção Leve Um Livro, 2016) e Da estranheza das coisas/De la extrañeza de las cosas (Projeto Pliegues Despliegues, 2009). Alguns de seus poemas integram coletâneas, como Resistência dos vaga-lumes: antologia brasileira de escritores LGBTQI+ (Nós, 2019), e revistas, como Olympio e Garupa.

 

Laura Daviña (São Paulo/SP, 1982) é designer e editora de arte. Mantém sua prática e pesquisa gráfica voltada para a interseção com artes visuais. É autora dos livros de artista Canteiro (Livros Fantasma, 2017) e Espiráculo (Edições Aurora, 2015). Foi gestora do espaço autônomo .Aurora e cofundadora e editora de arte da Edições Aurora. Desde 2015 coordena o projeto Publication Studio São Paulo, onde publica livros, pesquisa a publicação autônoma e desenvolve oficinas para criações coletivas a partir da experimentação gráfica.

 

Janaina Abílio [@janabilio] nasceu em 1988, no Rio de Janeiro, e cursa graduação em Português e Literaturas na Unirio. Já publicou pelo Bando Editorial Favelofágico, na antologia de contos Grãos Imastigáveis, e nas revistas Vacatussa e Garupa. Testemunha que as palavras têm poder e faz poesia em copo d’água.

apanhado #1

R$ 75,00Preço